domingo, 21 de agosto de 2011

Experiência

Como tudo na vida, dependemos de nossas experiências para realmente sabermos o que são determinadas coisas. Por mais que nos falam, explicam ou desenham, só quando sentimos na pele é que sabemos como funciona.
E foi esse o principal motivo do treino de hoje: EXPERIÊNCIA, vivenciar a dificuldade para na frente não ter surpresa.
Quando acordei (por volta das 6hs), já sabia que independente do treino, ele não seria fácil por causa do frio que estava. No sábado à noite, conversei com o Silvio e ele pediu para levar tudo que eu pudesse usar em prova, inclusive minha roupa de borracha... ou seja, teríamos água na "brincadeira" do dia.
O treino foi marcado no Riacho Grande, nos encontramos no Ceret e fomos juntos de carro. No caminho fomos falando dos treinos, das provas, da vida. Quando chegamos, a temperatura estava ainda mais baixa, o frio estava pesado... ainda tinha esperança de abortarmos a parte da água.
Descemos do carro e fomos até a beira da represa. Uma garoa bem fina e uma névoa nos recepcionou... ótima maneira de receber "boas vindas". Minha vontade que já era grande aumentou ainda mais e o que mais queria era voltar para dentro do carro e ficar por lá, afinal, não teria nenhum maluco que entraria naquela água.
O Silvio, com toda boa vontade, me incentivava a entrar... disse até que ficou com vontade de entrar tb, mas como não tinha levado roupa de borracha não daria (duvido!!!rs). Nisso, chegou o Diogo, parceiro de treinos que fará a prova de Penha na semana que vem também. O pior, o bicho chegou empolgadíssimo!!! Quase perguntei o que ele tinha tomado, pois tanta animação para cair na água, não poderia ser espontânea... rs
Enfim, demos uma corrida de uns 10 minutos para aquecer, o que foi suficiente para aquecer e continuar correndo, não aquecer para entrar na água!
Comecei a vestir a roupa de borracha, como se estivesse indo para o enforcamento..., juro que achava mesmo que era brincadeira do Silvio. Fomos nos aproximando da margem, meu pé eu já não sentia de tão gelado que estava..., olhava para as boias e não conseguia imaginar como chegaria até elas naquele frio. Confesso, não estava com coragem, pensei mesmo em não entrar... foi quando o Silvio me disse uma coisa que me deu uma tremenda energia:
"Não pensa no frio, pensa em alguma coisa boa e vai!"
E como se fosse uma injeção de ânimo, pensei em um sorriso e pronto! Estava forte como nunca, pronto para encarar aquilo de frente.
Entramos na água, o choque foi grande apesar de a roupa de borracha proteger bem, as mãos, pés e a cabeça estavam doendo de tanto frio. Não conseguia respirar direito, pois não conseguia manter muito tempo a cabeça dentro d'água, o que foi péssimo, pois comprometeu muito meu desempenho nessa que seria nossa primeira volta. Fiz o contorno das boias, comecei a voltar e ao chegar perto da margem, assim que levantei, tive uma tontura bem forte e que me fez sentar na hora. Como não trabalhei direito a respiração, acho que a oxigenação não foi adequada e com o frio, na tentativa de nadar mais rápido me cansei mais do que deveria. Enquanto me preparava para a segunda "entrada", o Silvio me disse para afundar mais a cabeça, para eu trabalhar a respiração. E realmente foi isso. A segunda volta foi bem melhor do que a primeira, apesar de continuar com o frio muito forte no rosto, era o que tinha que ser feito. Consegui encaixar melhor a respiração e as braçadas, nadei melhor e sai sem tontura dessa vez!
Para terminar o treino, fizemos uma transição. Eu peguei a bike e fui enquanto o Diogo saiu para correr. Muita garoa e vento, o frio era constante. O que me motivava era saber que já tinha saído da água, mas já me questionava o que era pior no dia de hoje: nadar ou pedalar naquele tempo? rs
Voltamos para o carro, nos secamos e nos trocamos. O Silvio levou chá quente, pois já sabia que precisaríamos...
Agora, quente na minha cama, vejo que realmente esse treino foi fundamental. Tenho certeza que se tivesse tido essa experiência em uma prova, poderia ter comprometido o resultado final. Agora eu já sei o que é nadar com uma temperatura abaixo de 10 graus, já sei o que é não sentir os pés e as mãos na hora de entrar na água e principalmente, já sei o que é estar com a cabeça dentro de uma "geladeira" e trabalhar minha respiração.
Muitas vezes, deixamos de fazer algumas coisas ou tomar alguma decisão, simplesmente por medo ou insegurança. Nessas horas, temos que acreditar e colocar a cabeça e o coração para trabalhar. A experiência é o que nos constrói, não podemos deixar o desconhecido nos destruir.
Mais um dia na bagagem!

Um comentário:

  1. Rô!! Fico feliz que tenha conseguido vencer mais esse obstáculo! Imagino que nao tenha sido nada fácil mesmo!! Estou na torcida! Muito bom o texto! Um beijo!
    Carol

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