terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ironman 70.3 - A Prova

Ironman 70.3 – Penha / SC

Primeiro grande desafio desde que comecei a fazer triatlhon. O Ironman 70.3 recebe esse nome, pois corresponde a metade do Ironman (140.6 milhas), ou seja, 1,9 km de natação + 90 km de ciclismo + 21 km de corrida.

A viagem começou às 5h20 de sexta-feira, decidimos ir de carro, tranqüilo. Comigo estavam meus dois sobrinhos e no carro do Silvio, ele e a Silvia. Pegamos um pouco de trânsito no caminho, mas nada que nos atrasássemos muito. Chegamos em Penha por volta das 13hs, fizemos o checkin no hotel e saímos para almoçar. Essa era a primeira meta do dia que seria bem corrido.

Confesso que o clima de sexta-feira me preocupou um pouco. Além do frio que estava, o vento estava forte e o mar bem agitado. Sabia que se o tempo continuasse assim, eu “sofreria” ainda mais na prova.

Após o almoço, fomos retirar o kit da prova. Não tinha quase fila para a retirada, mas o tempo individual de cada atleta era um pouco “lento”, principalmente para quem estava ali pela primeira vez. De forma bem organizada, explicavam tudo que deveria ser feito e preparado para a prova. Saímos de lá, voltamos para o hotel e comecei a preparar tudo que precisava, porque até às 19hs, deveria deixar tudo na primeira transição da prova. Tudo separado por sacolas coloridas, o que era de ciclismo na sacola azul, o que era de corrida na sacola amarela.

Depois de conferir tudo umas 5 vezes, pegamos a bike e todos os equipamentos e fomos entregá-los. Chegando lá, foi tudo muito rápido também. Deixei a bike no local indicado e entreguei as sacolas para a organização. Explicaram-me como deveria ser feita essa primeira transição, por onde deveria entrar, o que deveria fazer com os materiais da natação, etc. Disseram também que a sacola com os materiais da corrida seriam transportadas por eles até o local da segunda transição. Pronto, tudo estava preparado para a prova..., bastava apenas chegar a hora da largada.

Voltamos ao hotel, descansamos um pouco e fomos jantar. Em um belo rodízio de pizza,comi pizza de tudo que era jeito, inclusive de chocolate com sorvete! rs
Por volta das 22hs, já estava pronto para dormir, mas é claro que o sono não estava ali. Comecei a rever todas as mensagens,recados e e-mails que recebi durante o dia, a lembrar de cada ligação que me fizeram e de todo o carinho que me deram. Com certeza isso, me fez um bem enorme. Sentir todo esse carinho naquela hora me trouxe uma paz muito boa... Obrigado a todos por isso, tenham certeza que a energia positiva de vocês me ajudou muito!

Enquanto não dormia, fiquei “fazendo” a prova na minha cabeça por diversas vezes. Cada hora me preocupava com um ponto específico da prova, mas com toda certeza, o que mais me preocupava era a natação, principalmente por ver como o mar estava agitado. Rezei, pedi a Deus que cuidasse daquilo pra mim (rs).


27 de agosto de 2011 – “O dia”

Acordei um pouco mais cedo que o previsto, estava um pouco tenso. Olhei pela janela e vi que o tempo continuava ruim. Totalmente nublado, sem nenhuma chance de um raio de sol aparecer. Ao menos, aparentemente o vento havia diminuido...

Tomei meu café, não comi nada diferente do que já estou acostumado. Também não comi muito para não me sentir “pesado”. Voltei ao quarto, comecei a me trocar e contar as poucas horas que ainda faltavam.

Chegando lá, logo fui para a área de pintura, preparei os últimos detalhes da bike, vesti a roupa de borracha e fui para a praia. Com os pés na areia, senti realmente que tudo que tinha feito para estar ali, valeu à pena. Ao lado, avistei os amigos Serginho, Elvio e Fernando, que haviam ido de avião apenas para assistir a prova e me dar uma força, assim como meus sobrinhos que já estavam comigo desde sexta. A presença deles me confortou ainda mais naquele momento.

Próximo à largada, encontrei o Diogo, que também faria a prova naquele dia. Conversamos, nos "tranquilizamos" e demos força um ao outro. Enfim, era a hora... fiz minha oração, pedi muito à Deus para que tudo desse certo como o planejado, que me tirasse o quanto antes daquela água, porque o resto eu me virava, mas ali precisava muito da sua ajuda. Pensei na minha família, nos meus amigos, nas pessoas que me ajudaram em cada treino, em cada conselho, em cada sorriso... Apesar de pouco tempo, conheci pessoas maravilhosas que tenho certeza que levarei para a vida, pessoas que quero ao meu lado... pra sempre. Isso tudo me trouxe uma paz gigante... uma confiança inexplicável... e era isso que eu precisava para começar bem a prova.

Dada a largada. Saí mais ou menos no meio da galera, pois sabia que na frente teria muito cara "voando" e passaria por cima de mim. A temperatura não era muito agradável, a água estava com 16°, frio..., mas nada comparado ao treino que tivemos no Riacho Grande na semana anterior (rs). Fui na boa, procurando encaixar meu ritmo, sem pressa. Procurei respirar direito, sem querer ir rápido demais. O começo foi um pouco tumultuado, muita gente querendo ocupar o mesmo espaço e isso não dava certo. Entre alguns chutes e tapas, o espaço que precisava foi surgindo..., os "fortes" começaram a se distanciar e começou a ficar melhor. Estava preocupado em me orientar direito, sem desviar muito da bóia de marcação. Procurei trabalhar por etapa, "vencer" uma de cada vez. Mais ou menos no meio da prova, por incrível que pareça, estava me sentindo muito bem e feliz por estar ali. O frio já tinha ido para o espaço e não estava nem um pouco cansado... cheguei até a ultrapassar algumas pessoas! Quando avistei a última boia, senti que estava bem. Nadei até encostar a mão no chão, quando levantei e olhei para o relógio, vi que estava um pouco abaixo do limite planejado, fechei a natação para: 43'56. Ótimo para mim, que em outubro do ano passado não conseguia nadar 25 metros!
Fui a caminho da transição muito feliz, lembro que quando passei perto do Serginho gritei: "Deu abaixo!!!"(rs) Fiz uma transição até que boa, para 4'31 e saí para o pedal, onde sabia que poderia fazer a diferença. Fui disposto a fazer força, queria tirar o máximo possível a diferença da água. E realmente foi empolgante..., passei muita gente! Tentei contar, mas vi que era loucura... Foram 90 km sempre pela esquerda pedindo passagem, durante todo o percurso, apenas 3 caras me passaram. Fiz um pedal consciente, me alimentei como deveria me hidratei bem também, apesar de ter sobrado um pouco da água/suplemento que levei. Fiz uma média de um pouco mais de 35 km/h, meu recorde! Fechei os 90 km com o tempo de 2h34:44, um pouco acima do planejado, mas dentro do que precisava.

Minha segunda transição foi boa também, saiu para 2'19. Tudo pronto... agora só restava 21 km de corrida (só... rs). Saí forte..., quis tirar a pequena diferença da bike. O planejado era fazer para 4'43 por km, mas meu ritmo inicial estava para 4'25/4'30 por km, sabia que era forte para manter até o final, mas quis tentar... estava me sentindo muito bem. Fui firme, passei bastante gente também. Senti que a temperatura caiu, começou uma garoa fina..., mas estava tão pilhado que poderia nevar que estava tudo certo!

Por volta do km 14, senti um pouco de câimbra na perna esquerda..., nada forte, mas algo que me deixou um pouco preocupado. Não demorou, e comecei a sentir a mesma coisa na perna direita. Resolvi diminuir o ritmo..., comecei a fazer o km para 4'55/5'00. E assim fui até o final... nesse ritmo ainda estava passando bastante gente.

Nos últimos 200 metros, uma sensação absurda tomou conta de mim. Estava prestes a completar um meio Ironman, uma prova que sempre achei impossível de ser feita. Era uma mistura de sentimentos... estava feliz, emocionado, eufórico, com vontade de gritar, de correr mais rápido, de sorrir, de chorar... sei lá, não dá para descrever... só quem faz essa coisa entende isso... Cruzei a linha de chegada, levantei às mãos para o céu e agradeci a Deus. Missão cumprida! Agora sim eu era um Ironman 70.3, completei a corrida em 1h42:44, fechando a prova em: 5h08:16.

Peguei um copo de coca-cola, um pedaço de bolo e pensei... "tudo isso só foi metade do Ironman... show!" rs

Agradeço muito ao Silvio, que sempre busca extrair meu melhor com sua dedicação. Sem ele, nada disso aconteceria. Agradeço a todos que me acompanham e de que alguma forma me apoiam e me incentivam. Tenham certeza que isso ajuda... e muito!

E é isso... a vida é feita de momentos inesquecíveis... não importa quantas vezes respiramos, mas sim quantas vezes perdemos o fôlego...

O primeiro passo para a conquista é acreditar... e eu sempre acredito!






2 comentários:

  1. Rodrigo, belo descritivo. Fiquei até meio emocionada pelos momentos que vc vivenciou!
    Parabéns por tanta garra, luta, fibra, dedicação e fé! Não tenho dividas de que vc vai longe, em todos os sentidos...rs
    Parabéns garoto! Que você seja um IronMan muito feliz sempre! E que Deus sempre ilumine o seu caminho.
    Bjs com carinho de quem te admira desde criança!

    ResponderExcluir